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A velha mangueira
:: 28-03-2009 7:00:00

 


Na minha infância, quando morava na rua que leva o nome do General Osório - Manuel Luis Osório, um dos principais chefes militares brasileiros do século XIX - onde ainda hoje habita o meu pai Arlindo, uma das minhas maiores realizações era subir na frondosa, centenária e, até então, surpreendentemente produtiva mangueira que ficava no extenso quintal.

Aquela mangueira, com suas belas e rosadas mangas, era o playground da minha infância. No seu topo eu passava tardes e manhãs aventurando-me, como num filme de Tarzan, escalando as alturas arriscadas, colhendo e largando os frutos pesados e doces que desabavam por entre as folhas longas e lustrosas e os galhos esverdeados, produzindo um som sibilante peculiar até o barulho retumbante da queda. A queda, que eu mesmo experimentei um dia e que causou um dos maiores sustos que minha mãe já teve na vida: o filho prostrado no chão, de bruços, próximo a um ciscador com as pontas de ferro oxidado viradas para cima.

Foi só o susto do baque. Nenhum órgão ou osso avariado. O trauma, no entanto, fez com que eu demorasse a voltar aos galhos daquela árvore. Essa queda, a primeira forte, símbolo de outras que viriam na minha existência, também experimentou meu irmão mais novo, saudoso Arlindinho, que procurava me imitar nas escaladas ao topo da mangueira. Caiu de uma altura maior, mas, como eu, não chegou a quebrar osso, para alívio momentâneo de todos, pois as incursões à nave da mangueira voltavam a se repetir pouco tempo depois.

Certo dia daquela época, esse mesmo irmão, revoltado temporariamente com uma negativa paterna de alguns dinheirinhos, decidiu dar o troco das moedas que não recebeu, preparando a cena: subiu até o ponto mais alto, ali onde os galhos se retorciam – ciosos de não poderem mais crescer – e ameaçava se jogar. Papai, à porta, dizia que iria chamar os bombeiros. Eu ria, incrédulo da cena. Lembro-me que o único efeito doloroso disso tudo foi um grande galo na minha cabeça, realizado pela mão paterna, que, fechada, rápida e certeira, atingiu meu cocuruto na hora em que me esbaldava no riso.

Na mangueira subiu também uma vez meu tio José Folli - falecido recentemente - que logrou realizar um dos maiores dramas da minha infância, quando, aos berros que se ouviam em quase todo o Bairro da Estação, se desesperava, afirmando que as abelhas estavam lhe atacando. A cena era patética e assustadora. Hoje, graças a Deus, somente risível, mesmo com sua ausência entre nós. Meu tio - obeso como sempre foi - preparava-se para saltar, de pé, sobre um galho forte. Meu irmão e irmãs estavam sob a mangueira, com os braços abertos, aguardando o tombo, como se pudessem segurar aquele tremendo barril de chope que perigava se precipitar lá de cima. Até que a coragem apareceu e meu tio desceu, aos gritos, ralando-se todo pelo tronco espesso e verrugoso da árvore fantástica.

Hoje, só lembranças. Nesses dias de final de verão, a mangueira, aquela mangueira única e inesquecível que se tornara quase um membro da família, já não vive, atingida que foi pelo cupim. Resta o sabor da memória. A paz e o sossego encontrados antigamente nesses lugares, que nos proporcionavam um contato direto com a natureza, os rios, o vento suave que entrava pela janela, o pôr-do-sol único, perderam espaço para os computadores, os celulares, o escritório, as obrigações com entregas, com prazos, a falta de tempo, o notebook, enfim... Hoje o mesmo Homem que tanto lutou e ainda luta pela modernização da sociedade olha para trás com a vontade de voltar o tempo, de recomeçar, de resgatar o que foi perdido: aquela vidinha pacata, mansa, mas muito mais prazerosa de se viver.


Edward de Souza é jornalista, radialista e escritor. Escreve aos sábados no Divã do Masini e às quintas feiras no Jornal Comércio da Franca. Comanda blog próprio.

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Foi Deus que fez você
:: 27-03-2009 21:00:00

 

Grande Amelinha. Grande Luís Ramalho.

 

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Minutos de fama
:: 27-03-2009 11:00:00

 

Você tem uma banda, é cantor ou compositor?

Ouça abaixo a dica da Rádio Unifran.

 

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A importância em poupar
:: 27-03-2009

 

Não é este o cofrinho que me refiro, se bem que ele também é um ótimo investimento.

Desde criança fui instruído a poupar. Sim... eu tinha "porquinhos", os chamados cofrinhos. De alumínio, de plástico. De todos os formatos possíveis.

A reserva feita me salvou de momentos complicados. Mas na juventude esse bom hábito ficou perdido. Uma pena. Hoje, certamente teria meu terreno, minha casa, minha viagem ao exterior. Faz algum tempo, criei juízo e voltei a poupar. Agora o pensamento é nos estudos das crianças.

Sempre dá para economizar. Na cerveja (eu não bebo) ou nos maços de cigarros (eu não fumo) - o conselho é pra você. Na compra daquela pipoca de valor absurdo vendida no cinema. Vale esperar também pelas megas promoções para comprar um tênis mais caro ou dar uma repaginada no guarda-roupa.

Tudo gera economia de centavos, de reais, de dezenas de reais. Não precisa começar a investir muito dinheiro. Mas reserve algo todos os meses. Pagar À vista algumas coisas tem lá seu poder na hora de negociar. Hoje essa atitude poderá parecer uma babaquice para os colegas, mas um pouco lá na frente você não vai se arrepender. Pode confiar.

 

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Naturezas masculina e feminina: juntas pela segunda vez
:: 27-03-2009

 

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Minha primeira vez num tribunal
:: 26-03-2009 11:30:00

 

Não, eu não fui processado. Não ainda. Apenas acompanhei uma turma de alunos do curso de direito da Universidade onde trabalho. Fui tirar fotos e fazer um breve relato para disponibilizar o material no site.

“A primeira vez a gente nunca esquece”, disse, acho, algum gênio da publicidade. E certamente o clima de um julgamento não se perde fácil na memória, mesmo nas mais curtas, como a minha. Não pude ficar até o fim do “evento” — no período da manhã fico só no setor —, fiz as fotos e voltei rapidamente para a Universidade.

O clima da sala do júri é tenso, desconfortável, sombrio, gélido. Confesso que senti isso tudo ao mesmo tempo. E não eram sensações de marinheiro de primeira viagem, visto que nos 40 minutos que permaneci no espaço foi possível ver expressões e sentir o nervosismo que pairava no ar entre advogados de defesa e acusação, promotores e até mesmo no juiz. Vi as veias do pescoço de um dos réus pulsarem fortes, parecendo quererem sair para tomar um ar.

Os réus (dois) estavam sendo acusados de homicídio.  Na foto, quando o Meritíssimo lê ao réu a declaração feita por ele (réu), é possível notar a expressão do juiz. Através de seus gestos e de suas palavras rudes, curtas e grossas, imaginei: Cara (réu), você é mau, fez uma coisa muita feia e ruim. Tu “ta” ferrado, mano! O juiz parecia já ter dado o veredicto de culpado, isso ainda nos cinco primeiros minutos de sessão aberta.

È excitante estar num evento do tipo, mas confesso que o melhor mesmo é assistir a tribunais da indústria cinematográfica. E por falar nesse gênero de filme, vou preparar uma lista de alguns bons.  Aguarde!


 

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Eu não quero mais postar sobre crise...
:: 26-03-2009

 

...então parem com as demissões, já.

- Diário de Natal demite 20 na redação

- 30 jornalistas da Editora Símbolo, em greve por falta de pagamento do 13º, vão aderir ao PDV.

- Senador americano propõe isenção de impostos a jornais em crise.

- Cerca de 160 engenheiros e outros funcionários da Matriz da GM receberam carta de demissão em casa. Este é o início de processo de supressão de 3.400 postos de trabalhos nos EUA e parte das 47 mil demissões que a montadora  pretende fazer em todo o mundo.

- IBM prepara mais demissões. Até o momento já somam 2,8 mil demissões.

- empresas aéreas estão demitindo a rodo.  No final do ano passado 470 geretnes da British Airways aceitaram o PDV. A empresa analisa a possibilidade de mais cortes.

- Indústria não descarta mais demissões devido a crise.

- A jornada de produção da unidade da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) em Araucária foi reduzida, em uma estratégia para evitar mais demissões. A medida faz parte de um acordo para segurar empregos depois que cerca de 70 funcionários da filial foram demitidos, entre dezembro de 2008 e janeiro.

Bom (?) dia.

 

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Berliques e Berloques do Masini
:: 25-03-2009 14:30:00

 

Como escrever para a Web

O Centro Knight para o Jornalismo nas Américas, da Universidade do Texas, lançou a versão em português do e-book "Como Escrever para a Web". A versão original, em espanhol, é do colombiano Guillermo Franco. A tradução para o português é do jornalista Marcelo Soares. A publicação pode ser obtida gratuitamente, em PDF.

Coerência

Raramente encontro textos coerentes quando o assunto envolve Jornais, Igreja e Estado. Mas este, escrito pelo mestre e doutor em jornalismo Carlos Alberto Di Franco, me chamou a atenção pelo nexo. Leia-o, independente de sua religião. O texto fala sobre a igreja católica. Mas cabe muito bem enquanto qualquer pensamento e/ou organização religiosa.

Desencalha Wanderson

A Internet nos reserva surpresas. A grande sensação do momento é a página de Wanderson Ticianelli Severiano Rodex. Um rapaz boa praça, 30 anos, bacharel em Química. Wanderson quer arrumar um novo amor. Há exigências curiosas.

O cara existe, o nome existe. Mas é bom não colocar a mão no fogo. A Internet, como escrevi, reserva surpresas boas, ruins e bizarras. Será que foi ele o criador de tal página? Ou alguém querendo sacaneá-lo? Qual a real pretensão de Wanderson com isso? Seriam os famosos 5 minutos de fama?

Visto via Twitter @bsousa, que, assim como eu, tem também blog na Abril.

 

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Sabesp: a importância de guardar recebido de pagamento
:: 24-03-2009 14:20:00

 

"Até 09/03/09 não acusamos o pagamento da conta referente ao mês 02". É isto que está escrito e circulado a caneta na minha conta da SABESP do mês de março. Minhas contas, todas as possíveis, são debitadas em conta corrente, como você pode notar no extrato que tirei, como prova, para enviar à SABESP.

Pergunta: por que eu tenho que provar algo que paguei, se tal conta, há anos, é  efetuada em débito automático? Será que tenho o direito de processar a empresa por difamação e calúnia?

Dos males o menor, já que sou péssimo no guardar canhotos e/ou carnês. Por isso faço opção de débito em conta nas contas que são possíveis utilizar do recurso. Fica mais fácil também provar o pagamento, já que quem acusa, nesse país, não precisa provar nada. E quem perdeu o canhoto, tem que pagar de novo, pois não tem como comprovar nada.

Pior... tenho que enfrentar fila até no atendimento online da empresa, faz um "tempão" que estou esperando e ainda sou o 13º. Usar o 0800? Nem pagando.

PS. Pensei que só o Magazine Luiza e outras lojas de departamentos que tinham esse costume de cobrar em duplicidade.


 

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Três anos de Twitter
:: 24-03-2009 8:30:00

 


O Twitter é mais uma ferramenta da Web 2.0 - conhecida como rede social - que poderia desverticalizar a comunicação, a informação, a troca, a amizade. Mas, por detrás do mecanismo existe o ser humano, que adora verticalizar as coisas, que é ambicioso e egoísta. Vaidade, tudo é vaidade.

Não me venha com essa bobagem de afinidades, apenas, afinal, o Twitter não é um Big Brother, em que se manda alguém para o paredão ou com o poder de anjo para salvá-lo, temporariamente que seja, do limo. Ou é?

Ali do cantinho também sai uma grande idéia, notícia, pensamento, reflexão que pode até mudar a maneira de encarar essa sua "rica" e isolada dianteira. Tem muita gente dando unfollow (deixando de seguir alguém) por bobagens, por uma divergência, por qualquer coisa, por prepotência.

A natureza é que é sábia, o sol, por exemplo, nasce para todos... e no horizonte.


 

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