Na teoria, a gente até topa fazer tudo pelo planeta. A prática é que são elas. Então, colocamos o desafio para a repórter Carolina Costa, que topou passar um mês cumprindo à risca dez hábitos verdes. Os sabores e dissabores da moça foram registrados a cada manhã no site da BONS FLUIDOS. E aqui você confere quanta coisa ela aprendeu até com os internautas. Texto • Carolina Costa

1 Evitar sacolas plásticas
Quem tem família grande costuma rejeitar qualquer tentativa de se livrar definitivamente das sacolas plásticas e ir ao supermercado com uma retornável. Comigo, que tenho quatro gatos abastecendo a caixa de areia todos os dias, não foi diferente. Como iria jogar a sujeira deles fora? A solução foi colocar uma lixeirona bem tampada na área de serviço, revestida de um saco preto grosso, que agüenta até 100 litros. Sacolinha, só no cesto do banheiro.
• GRAU DE DIFICULDADE | Médio. Requer uma pregação junto a balconistas e empacotadores.
• O QUE APRENDI | Contei 108 sacolinhas plásticas antes de parar de pegá- las em padarias, locadoras e supermercados.
• O QUE EU FARIA DIFERENTE | Não teria juntado 108 sacolinhas. Uma por semana é mais que suficiente.
2 Utilizar os dois lados do papel
Fim de expediente, uma colega de trabalho resolveu desentulhar a mesa e fazer uma limpeza em seus documentos. No dia seguinte, a lixeira estava abarrotada de papel. Peguei o maço e resolvi contá-lo: 376 folhas, o equivalente a quase quatro blocos de papel sulfite. Algumas nem tinham sido usadas. Eram tantas folhas que serviram para abastecer a impressora por oito dias.
• GRAU DE DIFICULDADE | Fácil.
• O QUE APRENDI | De fato, as folhas que já foram usadas de um lado enroscam mais na impressora - contei uma média de duas para cada 100. Mas não é nada que desestimule a reutilização.
• O QUE EU FARIA DIFERENTE | Juntaria maços de vários tamanhos, colocaria espiral e faria bloquinhos de anotação. Distribuiria entre meus colegas de trabalho.
3 Tirar os aparelhos do stand-by
Sabe aqueles olhinhos vermelhos que brilham na escuridão quando você se levanta à noite para ir ao banheiro? À espreita na sala, na cozinha e até mesmo no criado-mudo, ao lado da cama, eles são a marca mais visível do desperdício de energia elétrica. Pesquisas mostram que os aparelhos em stand-by encarecem em até 20% a conta de luz. Ou seja, senti no bolso quanto vale a pena ser fiscal dos aparelhos ligados.
• GRAU DE DIFICULDADE | Mamão com açúcar.
• O QUE APRENDI | Meu consumo, que no mesmo período do ano passado foi de 171 kWh mensais, passou para 154 kWh – uma queda de quase 10%.
• O QUE EU FARIA DIFERENTE | Nos primeiros dias, me esquecia de puxar os fios da tomada. É bom colocar lembretes pela casa.
4 Deixar o carro em casa
A proposta era não tirar o carro de casa, mas eu inventei moda e fui logo me atirando na rua em cima de uma mountain bike emprestada. A cada esquina tive que enfrentar subidas íngremes, carros que davam fechadas bruscas, ônibus que buzinavam, cachorros que latiam.
• GRAU DE DIFICULDADE | Difícil se seu bairro é cheio de ladeiras.
• O QUE APRENDI | São Paulo é cruel com os ciclistas: os motoristas não nos respeitam, os pedestres olham feio quando subimos na calçada. Andar a pé, de ônibus ou de carona é uma boa saída para quem não quer pedalar. E, às vezes, é preciso apelar mesmo para o táxi.
• O QUE EU FARIA DIFERENTE | Usaria uma bike com pneus maiores, mais finos e lisos, que rendem melhor no asfalto. E faria um condicionamento físico antes porque empurrar a magrela na ladeira é vexame.
Quando você começa a reciclar, se dá conta do volume de lixo que produz e memoriza o que pode e o que não pode ser reaproveitado
5 Usar produtos de limpeza biodegradáveis
A maioria dos produtos de limpeza tem algum tipo de solvente na composição: do benzeno ao tricloroetileno, todos contaminam o solo e os lençóis freáticos.
• GRAU DE DIFICULDADE | Médio. Exige um bom garimpo de produtos.
• O QUE APRENDI | Já existem no mercado opções de sabão em pedra e em pó que são biodegradáveis. Para encerar o chão e lustrar os móveis, basta misturar óleo vegetal com suco de limão. O resto fica por conta do vinagre branco: ele serve para desinfetar pisos, tirar limo e lustrar inox.
• O QUE EU FARIA DIFERENTE | Muitas marcas divulgam que são “ecológicas” ou “respeitam o meio ambiente” quando continuam fabricando produtos tóxicos. É bom investigar antes. Liguei para o SAC de uma dessas empresas e me disseram que era ecológico porque se decompunha em dez dias. Os outros demoram até dois anos para sumir.
6 Separar e reciclar o lixo
O país que se gaba de ser o maior reciclador de latas de alumínio é pródigo em sujar o planeta. Cada brasileiro produz 1 kg de lixo por dia, contra a média mundial de 685 g por habitante. Com isso, garrafas PET vão parar nos córregos, sacolas plásticas entopem bueiros...
• GRAU DE DIFICULDADE | Médio no começo. Fica fácil com o tempo.
• O QUE APRENDI | Me dei conta do volume de lixo que produzo e memorizei o que pode e o que não pode ser reciclado.
• O QUE EU FARIA DIFERENTE | Consumiria menos e reutilizaria mais. Etapas anteriores à reciclagem que raramente são colocadas em uso.
7 Fazer uma composteira
A internet está coalhada de sites ensinando a montar uma composteira – onde restos de materiais orgânicos são transformados em adubo. Não há quase nada sobre seu uso em apartamentos. Descobri por quê: as composteiras precisam ficar ao ar livre. Só assim para as mosquinhas darem sossego e o mau cheiro não se alastrar.
• GRAU DE DIFICULDADE | Difícil.
• O QUE APRENDI | Esse lance de adubo orgânico é para quintal.
• O QUE EU FARIA DIFERENTE | Usaria caixa plástica como recipiente.
8 Consumir menos
Vitrines são mesmo uma tentação. Muitas vezes, saí de casa sem a menor intenção de consumir e acabei com o nariz grudado no vidro de uma loja. Consumir menos significa desperdiçar menos e produzir uma quantidade menor de lixo.
• GRAU DE DIFICULDADE | Mais fácil para quem está numa fase duranga.
• O QUE APRENDI | Os marqueteiros são mesmo feras nesse negócio de despertar desejos...
• O QUE EU FARIA DIFERENTE | Deixaria o cartão de crédito em casa.
9 Reutilizar água da máquina de lavar
Só num ciclo normal da máquina de lavar, vão 145 litros de água. Trata-se de um volume descomunal se levarmos em consideração que a água doce, que abastece da torneira ao vaso sanitário, representa cerca de 2,5% de toda a água do planeta.
• GRAU DE DIFICULDADE | Médio. É preciso ficar pajeando a máquina.
• O QUE APRENDI | O primeiro enxágue, com sabão, serve para lavar o chão e o banheiro. Para aproveitar o segundo enxágüe nas plantas, é preciso abolir o amaciante. Fora o cheirinho, não senti diferença.
• O QUE EU FARIA DIFERENTE | Preciso de mais baldes.
10 Não comer carne vermelha
Maiores responsáveis pelo desmatamento de florestas e regiões de mata nativa, as áreas de pasto vêm crescendo no mundo todo.
• GRAU DE DIFICULDADE | Difícil para carnívoros assumidos, como eu.
• O QUE APRENDI | Descobri que a culinária indiana é rica em pratos com legumes e vegetais e mesmo os restaurantes que não são vegetarianos fazem bons pratos sem carne. Você vai se dar bem com as múltiplas possibilidades de salada.
• O QUE EU FARIA DIFERENTE | Uma mudança gradativa e tomaria vitamina B12, que impede a anemia.